Na segunda família do Real infelizmente foi abandonado o tradicional padrão utilizado até a 1ª família com uma letra à esquerda (conjunto de 9.999 séries), 10 algarismos (4 para a série e 6 para a ordem - nº de cada cédula) e uma letra à direita (estampa). 

Na 2ª família as cédulas trazem um par de letras à esquerda que são seguidos por nove algarismos. Nas tentativas realizadas junto ao Banco Central de obter informações acerca desta numeração recebe-se sempre a mensagem padrão:

“Por questões de segurança, o Banco Central não divulga a lógica empregada na numeração de série das cédulas da Segunda Família do Real. Atenciosamente, Departamento de Atendimento Institucional (Deati) Divisão de Atendimento ao Cidadão (Diate). Tel: 145.”

Diante dessa posição oficial só nos resta observar e deduzir a lógica da numeração, lembrando que as conclusões podem apresentar algum equívoco.

Quanto aos algarismos é bem simples: eles são sequenciais e indicam a quantidade de cédulas emitidas para cada par de letras diferente em cada valor de cédula.

No par de letras a primeira indica o ano de emissão e a segunda o mês de emissão. Exemplificando: uma cédula que traga o par “CF” foi emitida no terceiro ano do lançamento da cédula e no mês de junho.

Importante ressaltar que a segunda letra diz respeito ao mês de emissão da cédula, que pode ficar bastante tempo em estoque antes de ser lançada, ou seja, colocada em circulação.

Esta assertiva explica a aparente discrepância ocorrida no início da emissão das cédulas de R$ 2,00, R$ 10,00 e R$ 20,00. Observem:

A cédula de R$ 2,00 foi lançada (colocada em circulação) em 29 de julho de 2013 – par de letras AA. As próximas cédulas trazem os pares AF e AG, ou seja, emissão em junho e julho, o que pode parecer estranho por conta das letras indicarem meses anteriores ao lançamento. Isto se explica pela diferença entre emissão e circulação. As cédulas tiveram o início da sua impressão nestes meses, mas só começaram a circular mais tarde.

Isto também ocorreu com cédulas de R$ 10,00 (circulação do par AA a partir de 23 de julho de 2012 e próximo par com letras AF – junho) e R$ 20,00 (circulação do par AA a partir de 23 de julho de 2012 e próximos pares com letras AD e AE – abril e maio)

As cédulas que trazem o par “AA” fogem à regra geral, pois se referem à primeira emissão daquela cédula independentemente do mês em que isso ocorreu.

No site do Banco Central: http://www.bcb.gov.br/htms/museu-espacos/cedulas/real.asp?idpai=CEDBC#R2_2Fam estão disponibilizadas as informações a respeito das cédulas com todos os pares de letras e respectivas quantidades.

Nem sempre a atualização do site acompanha a emissão de novas cédulas. Por exemplo: em meados de outubro de 2016 já estavam comprovadamente em circulação as cédulas de R$ 2,00 com as letras DE e DF e a cédulas de R$ 5,00 com as letras DF. Contudo, nenhuma daquelas combinações de valores e letras constavam no site do BCB, até a atualizaçõ realizada em 31/10/2016. A penúltima atualização do site do BCB se deu em 18 de julho de 2016 e a antepenúltima em 22 de fevereiro do mesmo ano.

Segue um quadro resumido com base na situação existente em 31 de outubro de 2016.

 art2.1

Obs: as cédulas destacadas em amarelo são exceções à regra da numeração.

Desta maneira na segunda família, considerando-se valores e chancelas, temos 20 cédulas distintas. Se adicionarmos a variável par de letras a quantidade salta para 119 cédulas.

Em relação à segunda letra, a que indica o mês, vemos que simplesmente não são empregadas as letras “I”, “K” e “L” (setembro, novembro e dezembro). Este “preconceito” em relação ao “I” também pode ser verificado no código alfanumérico presente entre a inscrição “Deus seja louvado” e as marcas táteis.

Não se vislumbram explicações para a não utilização destas 3 letras.

Esmiuçando a questão do ano temos:

  • 50 e 100 reais - A = 2010, B = 2011, C = 2012, D = 2013, E = 2014, F = 2015 e G = 2016;
  • 10 reais -           A = 2012, B = 2013, C = 2014 e E = 2016;
  • 20 reais -           A = 2012, B = 2013, C = 2014 e D = 2015;
  • 2 e 5 reais -       A = 2013, B = 2014, C = 2015 e D = 2016.

Dentre as 119 cédulas temos 12 que fogem à regra proposta, vejam:

 1º caso – Em 3 cédulas a letra do ano indica uma data posterior à exoneração da autoridade.

As cédulas BA e BB de R$ 50,00 e BB de R$ 100,00, todas com microchancelas de Mantega e Meirelles ostentam a letra B, indicativa do ano de 2011. Entretanto a partir de 1º de janeiro de 2011 a presidência do Banco Central foi assumida por Tombini. Pode-se aventar a hipótese que isto tenha ocorrido em razão da casa da moeda não ter providenciado tempestivamente as novas placas para a impressão, tendo em vista que nas cédulas atuais as microchancelas são impressas no início do processo de produção, ou seja, pelo método offset. Por isto, foram emitidas cédulas com a microchancela de um presidente do BCB que já havia deixado o cargo.

 2º caso – Em 9 cédulas a letra do ano indica uma data anterior à nomeação da autoridade.

 As cédulas CJ de R$ 10,00, CD de R$ 20,00, EJ de R$ 50,00 e EG de R$ 100,00, todas com microchancelas de Levy e Tombini ostentam letras indicativas do ano de 2014. Entretanto a nomeação de Joaquim Levy se deu somente em janeiro de 2015.

 A cédula FJ de R$ 50,00 com microchancelas de Barbosa e Tombini ostenta letras indicativas de outubro de 2015. Entretanto a nomeação de Nelson Barbosa se deu somente em dezembro de 2015.

 As cédulas CJ de R$ 2,00 e CJ de R$ 5,00 com microchancelas de Meirelles e Tombini ostentam letras indicativas de 2015. Entretanto a nomeação de Henrique Meirelles para a Fazenda se deu somente em maio de 2016.

  A cédula CJ de R$ 10,00 com microchancelas de Meirelles e Goldfajn ostenta letras indicativas de outubro de 2014. Entretanto a nomeação das duas autoridades se deu somente em 2016.

  A cédula FJ de R$ 100,00 com microchancelas de Meirelles e Goldfajn ostenta letras indicativas de outubro de 2015. Entretanto a nomeação das duas autoridades se deu somente em 2016.

 Hipótese explicativa para o 2º caso: após a definição da quantidade de cédulas de um determinado par de letras, que muitas vezes atinge dezenas de milhões de exemplares, a impressão não se dá integral e imediatamente. Desta maneira pode ocorrer a troca de autoridades monetárias antes do término da impressão planejada, gerando a necessidade de um completamento da letra.

Este completamento, que ocorreu com as 9 cédulas do 2º caso, acarretou o aparecimento de 8 cédulas que, considerando a baixíssima tiragem, são as “figurinhas premiadas” de toda a família, confiram:

 

  1. Cédula de R$ 10,00 - Série: CJ138965001 a CJ139200000 - chancelas de Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn – 235.000 cédulas;
  2. Cédula de R$ 20,00 - Série: CD036360001 a CD036600000 - chancelas de Joaquim Levy e Alexandre Tombini - 240.000 cédulas;
  3. Cédula de R$ 2,00 - Série: CJ033306001 a CJ033600000 - chancelas de Henrique Meirelles e Alexandre Tombini - 294.000 cédulas;
  4. Cédula de R$ 5,00 - Série: CJ031380001 a CJ031800000 - chancelas de Henrique Meirelles e Alexandre Tombini - 420.000 cédulas;
  5. Cédula de R$ 50,00 - Série: EJ126144001 a EJ126720000 - chancelas de Joaquim Levy e Alexandre Tombini – 576.000 cédulas;
  6. Cédula de R$ 50,00 - Série: FJ012132001 a FJ012960000 - chancelas de Nelson Barbosa Alexandre Tombini – 828.000 cédulas;
  7. Cédula de R$ 100,00 - Série: FJ040932001 a FJ041760000 - chancelas de Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn – 828.000 cédulas;
  8. Cédula de R$ 100,00 - Série: EG50481001 a EG51840000 - chancelas de Joaquim Levy e Alexandre Tombini - 1.360.000 cédulas.

 

Obs: O caso da cédula de R$ 50,00 com as letras GE, que circulará tanto com a chancela de Barbosa, quanto com a de Meirelles, não configura exceção à regra geral uma vez que a letra G corresponde ao ano 2016 e a letra E ao mês de maio, data exata da troca dos ministros (13 de maio de 2016). 

 

Por último aborda-se a questão do ano impresso sob a primeira sílaba da palavra “República”. é o mesmo ano para todas as 6 cédulas da segunda família – 2010 – por ser o ano no qual todas as cédulas tiveram o seu design aprovado. Por isso ele não varia e não guarda relação com o ano de emissão das cédulas.